O objetivo deste blog

O objetivo deste blog não é atingir a ninguém, até porque nem acho que alguém algum dia lerá algo do que está aqui. O que faço aqui é só uma forma de colocar minhas ideias pra fora, já que tenho falta de amigos que gostem de se informar e muito menos de conversar sobre estes assuntos. Escrevo no blog porque ele não ficará fingindo que me ouve enquanto espera que eu me cale para que possa mudar de assunto. O blog registra minhas ideias. Entretanto, sou leigo em todos os assuntos abordados aqui e, portanto, o que expresso é apenas minha opinião. Quem quiser saber se o que escrevo tem fundamento deve pesquisar na internet, em jornais, livros, na sua própria consciência e na observação das atitudes das pessoas que o cercam.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Médicos (escravos) cubanos

Difícil admirar ou mesmo aceitar um governo como o nosso, hipócrita e mentiroso, para dizer o mínimo. Fazem tudo igual ao que denunciam como pernicioso. Reclamavam do PSDB quando privatizava empresas e privatiza estradas, portos e aeroportos. Reclamavam do PSDB por aumento dosjuros básicos da economia e aumentam os juros ao primeiro sinal de dificuldade. Acusavam o governo de corrupção quando eram oposição e agora são, talvez, o governo mais corrupto da história do país. E por aí vai.

Só para adicionar mais uma, copio o artigo abaixo:


 A MÁFIA CUBANA DESVENDADA   
Percival Puggina

Durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux abandonaram a delegação cubana com o intuito de se tornarem profissionais na Alemanha. Não foi uma fuga qualquer, dessas que acontecem quase sempre que um grupo de atletas ou artistas daquele país viaja ao exterior. A dupla era a joia da coroa cubana no Pan e o boxe divide com o baseball a condição de esporte mais popular da Ilha. Por lá, ser bom boxeador significa estar livre das aflições alimentares do comunismo. A notícia da fuga levou Fidel a escrever um artigo no Granma declarando que "nos nocautearam com um golpe direto no queixo, faturado com notas americanas". Duas semanas após, os dois foram capturados numa praia de Araruama. Dado que atletas cubanos no exterior têm seus passaportes retidos pelos comandos das delegações, a dupla estava sem documentos e foi levada presa para a Polícia Federal em Niterói.

            Se fosse você a decidir, o que faria com ambos, nesse caso? O governo brasileiro fez o contrário. Deportou-os imediatamente para Havana onde, nos meses seguintes, comeram, em pequeníssimas porções, o pão que o diabo amassou. E foi tudo que comeram. Tendo feito o oposto do que você e eu faríamos, nossas autoridades, por eminentes porta-vozes, asseveraram que ambos estavam arrependidos e que pediram para voltar aos afagos de Fidel. Era uma afirmação tão verdadeira e tão sincera quanto qualquer "Me traíram!" de Lula. Tanto assim que, meses após, ambos tornaram a escapar da Ilha. Hoje exercem sua atividade, como cidadãos livres, nos grandes centros mundiais desse esporte.

            No mesmo ano de 2007, o criminoso italiano Cesare Battisti, comunista e terrorista, ladrão e assassino, condenado em seu país por várias mortes, fugiu da França onde estava refugiado. Havia risco de revogação do benefício, o que determinaria sua extradição. Com documentos falsos, Battisti acertou na mosca vindo para o Brasil petista, onde recebeu tratamento de companheiro. Iniciou-se aqui uma longa discussão sobre seu destino. O que faria você, diante do pedido de extradição formulado por país amigo em relação a um criminoso condenado em várias instâncias? Mormente se você fosse a autoridade que antes enviara dois inocentes de volta para Cuba?  Pois é, o governo brasileiro, enrolou, enrolou e fez o oposto, contrariando, inclusive, a posição recomendada pelo Conselho Nacional de Refugiados e a decisão do STF. Concedeu-lhe refúgio e criou uma encrenca com a Itália. Battisti, hoje, trabalha na CUT.

            Temos, agora, o caso da cubana que abandonou o programa Mais Médicos e está sob proteção da bancada federal do DEM. O que faria você? Acolheria o pedido de uma mulher que rompeu o silêncio daomertá e revelou a máfia cubana exportadora de médicos? Até quem conhece, como eu, a realidade daquele país e sabe que é pura balela a "generosa solidariedade cubana", se surpreende com a revelação da doutora Ramona. Ela provou ser contratada não pela Organização Pan-Americana de Saúde (como se contava por aqui) mas por uma empresa, uma Sociedade Anônima, criada em Cuba no ano de 2011, que abocanha 76% do valor pago pelo Brasil. Quem são os sócios dessa tão lucrativa empresa? Nada foi dito.

            Por enquanto, tudo indica que o governo brasileiro, mais uma vez, fará o contrário do que você e eu faríamos. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já antecipou que fora do programa Mais Médicos ela terá seu visto de permanência revogado, presumindo-se que o avião no qual deixará o Brasil terá seu nariz apontado para o Caribe.

            A mais insensível das criaturas humanas reconhecerá na situação dos médicos cubanos atuando no Programa Mais Médicos uma condição de escravidão. Quem se recusa a admiti-lo sonha com uma sociedade onde, em vez de o Estado existir para as pessoas, as pessoas existem para o Estado. Por isso, num regime comunista, um atleta é um atleta do Estado. Um médico é um médico do Estado. E ambos têm que fazer o que o Estado lhes determine. Bom, isso a gente sabia. A novidade é a máfia.

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Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PT vs PSDB - Esquerda vs Direita?

Hoje copiei um post do Paulo Roberto de Almeida, que copiou um do Rodrigo Constantino, que comentou uma coluna do Paulo Guedes. Quem copia de um, faz plágio. Como copiei de vários e citei as fontes, fiz uma pesquisa.

É pelo que está escrito abaixo que digo: no Brasil, votar é como ir a um mercado para comprar maçãs e só encontrar maçãs podres. A diferença é que no mercado você acaba desistindo do que está podre e compra laranjas, bananas ou até nada, enquanto na urna (voto obrigatório neste país), somos obrigados a escolher algumas dessas maçãs podres para compor a Câmara, outras para o Senado, uma para a presidência, etc. E no final, acabamos é com um gigante abacaxi. No próximo post, pretendo falar um pouco sobre eleições e campanhas eleitorais.
Rafael

A armadilha social-democrata do baixo crescimento - Rodrigo Constantino

Os irmãos siameses, e inimigos cordiais (por parte do PSDB) ou irracional e pernicioso para o Brasil (da parte do PT) da política brasileira, tucanos e petistas, exibem basicamente as mesmas políticas econômicas, como demonstram tanto Paulo Guedes como Rodrigo Constantino.
Uma pena, pois o Brasil pena (com perdão pela redundância) para crescer a taxas medíocres de 2 a 3%. Isso não é o mais grave, pois os EUA também cresceram a taxas modestas, mas de forma mais constante e sem os grandes sobressaltos que tivemos, com exceção das crises, mas que não inviabilizam o setor privado como o fazem aqui, uma vez que lá o Estado tem um peso menor na economia.
O Brasil está condenado ao baixo crescimento estrutural, por causa do ogro famélico que se chama Estado.
Paulo Roberto de Almeida


03/02/2014
  às 12:02 \ EconomiaPolítica

A armadilha social-democrata do baixo crescimento

O economista Paulo Guedes tem batido insistentemente 
na tecla da armadilha social-democrata do baixo 
crescimento. Tem usado seu espaço às segundas-feiras
 no GLOBO para mostrar como essa mentalidade 
predominante no Brasil tem sido responsável por nossos
 “voos de galinha”: barulhentos, desajeitados e de baixa
 altitude.
Na coluna de hoje, “Chapa quente”, Paulo Guedes 
retoma o tema e joga petistas e tucanos no banco dos 
réus, responsáveis por esse equívoco ideológico que tem nos custado tão caro. Diz o economista:
O fenômeno persiste há décadas. O Brasil segue prisioneiro da armadilha social-democrata do baixo
 crescimento. Com tucanos ou petistas, continua a expansão dos gastos públicos bem acima da taxa de 
crescimento do produto interno bruto. E, para evitar o descontrole inflacionário, sobem também os impostos
 e, mais uma vez, as taxas de juros, derrubando consumo, investimentos e a geração de empregos.
Essa armadilha de baixo crescimento é o resultado da falta de sintonia de nossa classe política com os
 requisitos de uma nova ordem global. Aprisionados por regimes tributário, previdenciário e trabalhista 
anacrônicos, nossa condenação ao crescimento medíocre reflete as contradições entre obsoletas práticas
 políticas social-democratas e as exigências econômicas de mercados globalizados. Os gastos públicos da 
União atingiram quase 1 trilhão de reais em 2013, aproximando-se de 20% do PIB. As despesas do governo
 central com o custeio de pessoal, benefícios previdenciários etc. cresceram 13,6% no ano, mais que o 
dobro da taxa de inflação, que fechou em pouco menos de 6%.
Não há como discordar da essência de sua mensagem. Que serve, também, para derrubar a tese tão 
disseminada por aí de que o PSDB é “neoliberal” ou de “direita”. Nada mais falso. É um partido social-democrata, 
portanto, de esquerda, e tem sua cota de culpa na situação atual do país, o eterno gigante do futuro.
Dito isso, acho injusto condenar igualmente petistas e tucanos. Não resta a menor sombra de dúvidas de
 que o quadro técnico do PSDB é anos-luz à frente do petista. O PSDB tem bons economistas, conta com
 a sabedoria de gente como Gustavo Franco ou Armínio Fraga, enquanto o PT ataca com Guido Mantega
 e Aloizo Mercadante. Não dá nem para comparar.
Além disso, não diria que o PT preserva o modelo social-democrata dos tucanos. A guinada foi claramente
 na direção de um nacional-desenvolvimentismo tacanho, ultrapassado, bem latino-americano e populista.
 A social-democracia tucana deve ser condenada, pois não oferece um mapa de voo mais elevado e 
sustentável, algo que somente o liberalismo pode fornecer. Mas ao menos não seria essa desgraça que
 vemos sob Dilma.
Isso para falar apenas da economia. Mas há todo um ranço autoritário no PT que não encontramos no 
PSDB. O PT, vale lembrar, participa do Foro de São Paulo, que ajudou a fundar, ao lado de ditaduras 
como a cubana, flerta com guerrilheiros das Farc, tem no MST um braço armado no campo, controla 
sindicatos mafiosos, enfim, o PT realmente faz o PSDB parecer “neoliberal” – mas só porque o PT parece 
socialista muitas vezes.
Em resumo, Paulo Guedes está totalmente certo ao alertar para essa armadilha do baixo crescimento da 
social-democracia, que tanto parte do PT como o PSDB abraçam. Mas exagera na dose ao condenar 
ambos na mesma medida, uma vez que sabemos do potencial infinitamente maior de causar estrago – 
econômico e social – dos petistas.
Rodrigo Constantino

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Deleite da cúpula colonial na metrópole

(Re)Distribuição de renda. Erradicação da pobreza. Eliminação das desigualdades sociais. Objetivos (alegados) máximos do Partido dos Trabalhadores, o da presidente. Pergunto: o povo que está sendo retirado da pobreza se hospedará nos hotéis Ritz e Tivoli em Lisboa e pagará o preço tabelado de R$ 26 mil por UMA NOITE em um quarto? Há igualdade social nisso? Ou a presidente não faz parte da sociedade? R$ 70 mil por 45 quartos para 45 pessoas por UMA NOITE! Se essa s45 pessoas tivessem ficado em quartos “mais normais”, o custo poderia ser, talvez, de uns R$ 25 mil, economizando, assim, R$ 45 mil de dinheiro público (dinheiro nosso). Sem contar o gasto do jantar, que alegadamente foi pago com dinheiro privado de cada um dos presentes ao restaurante.

R$ 45 mil pagam aproximadamente 88 bolsas-famílias. Ou seja, 88 famílias poderiam ter recebido o auxílio do bolsa-família para UM MÊS de sobrevivência com o dinheiro que a comitiva presidencial gastou a mais que o razoável para UMA NOITE! Não sou a favor do formato e do objetivo real do bolsa-família, que acredito ser bem diverso do divulgado e alardeado pelo governo, que, trocando em miúdos, seria de tirar o povo da miséria. Mas a ideia que defendo aqui não tem a ver com a validade ou não do programa assistencial do governo e sim com a incoerência entre os objetivos alegados pelo Partido e os fatos e atos de seus integrantes.

Se o objetivo é distribuir renda com a consequente diminuição das diferenças sociais, como explicar o gasto de 88 bolsas-famílias em uma noite de luxo para 45 cidadãos? Isto é igualdade? Ainda não entendi quem é igual a quem? Conta a história que Nelson Mandela, quando recebeu o primeiro holerite como presidente da África do Sul, olhou o valor de seu salário e achou que era alto demais. Teria ele então doado parte de seu pagamento todos os meses durante seu mandato. Não sei se a história é verdade, mas isso sim é distribuição de renda. Ainda que um(a) presidente tenha direito a esta ou aquela mordomia, este ou aquele pagamento, se seu objetivo maior é distribuição de renda com diminuição das desigualdades sociais, ele(a) deve dar o exemplo e abdicar das vantagens que são demais, ainda que estejam dentro da lei.

O que nos leva a outro ponto. Esta parada em Portugal com todos os gastos estão dentro da lei? A assessoria alega que a comitiva não ficou hospedada em nossa embaixada porque lá não havia espaço para todos. Ora, a presidente se reuniria com todos durante a noite? Precisariam ficar todos junto com ela na embaixada? Não poderia ficar a cúpula hospedada na embaixada e somente quem não tivesse vaga lá buscasse um quarto de hotel? E se não ficaram na embaixada porque havia necessidade de todos ficarem juntos, por que ficaram em dois hotéis diferentes e que não são adjacentes? Se está dentro da lei, por que fazer a viagem em regime de sigilo, sem nem publicá-la na agenda oficial? Por que dizer que foi decisão de última hora se os hotéis e o restaurante já estavam reservados dois dias antes? Por que quando foi desvendada a farsa incluíram na agenda oficial, 24 horas depois da chegada a Portugal e quando já tinham inclusive decolado para Cuba? Teria sido para acobertar o fato de não estar divulgado lá antes? Se era dentro da lei, por que dizer que a presidente ficaria/estava dormindo no hotel e só admitir a saída à noite para o restaurante após divulgação pela imprensa portuguesa, no dia seguinte?

No mínimo estranho. E tenho dito.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dança das cadeiras. Como funciona...

            Vai começar a dança das cadeiras. Mais uma troca de ministros. Existem 39 ministérios e, sem contar a próxima troca, já são 60 ministros (notícia dada por Gabriel Castro). No momento em que escrevo estas linhas, ainda não li a reportagem toda. Li apenas o primeiro parágrafo e mais duas frases. Até porque o assunto que pretendo falar hoje é sobre isso, mas não é exatamente isso.

            Eu tenho um sério problema em aceitar como são feitas as indicações de ministros de Estado e outros cargos de confiança, como presidente do BB, da Petrobras, da Caixa, entre outros. O governo fala em dar X ministérios para o PMDB, Y ministérios para o PSB, Z ministérios para o PT e assim por diante, porque estes são os partidos da base aliada. “Estes são os que nos apoiaram durante as eleições e nos apoiam hoje nas votações no Congresso.” Ora, a Presidente da República tem o poder de escolher o melhor profissional do Brasil de cada área especializada para cada ministério. Por que ela escolhe um político? O que o político A entende de energia ou mineração? Nada, mas ele é do partido aliado, o partido indicou este nome e nós prometemos que se ganhássemos a eleição, daríamos o Ministério de Minas e Energia para este partido, então, coloquemo-lo lá. Não faz diferença se ele não entende do assunto. O cargo é do partido e o indicado foi ele.

            Pergunto: este tipo de indicação está de acordo com os interesses do Brasil, do povo? Este político A fará um bom trabalho? Tomará boas decisões? Fará o Brasil crescer? E o ministro da educação? E o da saúde?

            Mudando de assunto (sem realmente mudar de assunto), por que quando uma matéria está em pauta para votação na Câmara ou no Senado, os políticos são, no mínimo, coagidos a votar de acordo com os interesses do partido a que pertencem? Por que eles não podem votar de acordo com sua própria opinião? Eles deveriam votar a favor de tal matéria se acreditam que ela será benéfica ao país e votar contra se acreditam que será prejudicial. Não deveriam votar a favor por ordem do partido porque a presidente ofereceu um cargo de primeiro escalão para o partido ou contra porque ela se negou a dar o tal cargo. Desta forma, o que está havendo é compra de votos. O governo compra votos e paga com cargos. E com outras coisas mais que nem vou mencionar. Relembre-me: compra de votos não é ilegal neste país? Ah, tá...

            Mas o que mais me impressiona é que os políticos falam abertamente sobre este assunto. Quando são entrevistados falam mesmo que votaram deste ou daquele jeito porque o governo deu ou não deu o que o partido queria. O governo fala em retirar matéria da pauta porque se for votado agora será derrubado, que se precisa de mais tempo para negociar. No meu entendimento, a arte da política é a arte de convencer, não a de negociar. A política foi desenvolvida neste país nesta forma de negociata. E os políticos acham que isso é política. Que é assim que a política funciona. Eu acho que eles estão com a visão um pouco distorcida. Basta ver o que o Obama precisa fazer com o congresso americano quando quer alguma aprovação deles. É claro que deve ter negociação por lá também, que lá existem vários lobistas, e tudo o mais. Mas ele vai ao congresso fazer discursos, tentar convencer os senadores de que aquele é o melhor caminho a ser seguido. Enquanto por aqui, o governo só fala em negociar com a base aliada ou com quem quer que seja para que a matéria seja votada e aprovada.


            E o mais revoltante é que a grande imprensa da massa também trata isto como se fosse a coisa mais normal do mundo e o STF faz que não vê nada do que acontece. Não era para os três poderes se fiscalizarem entre si? Eu achava que se o Executivo e o Legislativo estão fazendo caquinha, o Judiciário deveria atuar.

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Brasil das Bolsas (família, escola...)!

Viajei recentemente à Alemanha e aos Estados Unidos, a trabalho. Passei 3 meses nos Estados Unidos (onde cruzei quatro estados dirigindo – Virginia, Maryland, New Jersey e New York, além de D.C.) e 2 semanas na Alemanha, tendo rodado de carro por mais de 1200 km na Alemanha e mais um pouco (não sei quanto, mas bem menos) pela Holanda. Sabem o que vi por lá? Gastos públicos com obras em estradas, reformas de edifícios públicos, recapeamento de ruas, trocas de tubulações, entre outras. Qual o significado disso?

Como já escrevi na descrição deste blog, sou leigo em assuntos de política, economia e todos os outros tratados neste veículo. Porém, me dou ao luxo de raciocinar e me questionar. E nesse caso, me questiono: será que estes gastos públicos em obras justamente em um momento de crise não são medidas de estímulo à economia? Desta forma, mantêm-se trabalhadores empregados, com salários em dia para pagarem seus aluguéis, comprarem suas roupas, seus eletrodomésticos, gastando com seu lazer, enfim, mantendo a economia girando. O governo utiliza dinheiro público para ajudar a população, distribuir renda. Mas em troca de trabalho, do suor de cada um. Claro que existem também projetos assistencialistas, mas de tamanho limitado.

Meu padrinho, nascido na Espanha, criado no Brasil, foi ano passado à sua terra natal. Ele nasceu em um vilarejo pequeno próximo a La Coruña (ou A Coruña, como os galegos a chamam). Naquela região, talvez a mais pobre da Espanha, que é um dos países muito afetados pela atual crise, também estão sendo feitas obras públicas, principalmente nas estradas, com este mesmo fim.

Enquanto isso, no Brasil... bolsa família, bolsa escola, bolsa presidiário... Segundo o site do Ministério do Desenvolvimento Social (www.mds.gov.br/bolsafamilia‎), “o programa bolsa família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país”. Fiz um cálculo rápido e sem ler muito, a partir de dados do próprio site do ministério, e cheguei ao valor de até R$ 510,00 para uma família com cinco filhos de até 15 anos de idade. É um valor de R$ 102,00 per capita, cumprindo o objetivo do governo de que todos tenham no mínimo R$ 70,00 por pessoa de renda mensal.

Agora vem o seguinte: os beneficiários do bolsa família são pessoas que trabalham? Sim, muitas delas. E muitas outras que não trabalham. Se a pessoa é analfabeta ou semianalfabeta, vivendo e empregado em área rural, qual é o seu salário potencial? Se ele é beneficiário do bolsa família, é porque a renda mensal per capita de sua família é inferior a R$ 70,00. Ou seja, para a família do exemplo anterior, uma renda familiar de no máximo 350,00. Se fosse maior que isso, não teria direito à ajuda do Projeto (pelo menos é o que consta no site do MDS). Ora, a família vive com R$ 350,00 mensais, trabalhando feito um burro de carga, de sol a sol, debaixo de sol forte. Aí, vem o governo e dá para ele R$ 510,00 todo mês sem cobrar que ele trabalhe. Você continuaria trabalhando? Pense bem e seja honesto. Se você sair do emprego e receber o auxílio, você teve um aumento de mais de 45% de sua renda, sem ter obrigação de trabalhar. Você trabalharia? Duvido.

E qual o desdobramento desta situação? O desestímulo ao trabalho, ao esforço próprio para melhorar de vida, à meritocracia e à produtividade. Conheço pessoas que vivem ou viveram em grande parte do Brasil. Só para citar um exemplo, alguns conhecidos meus, que têm “roças” no interior do Piauí e do Ceará reclamam que não conseguem trabalhadores para “roçar” os campos, pois eles estão satisfeitos com os benefícios dados pelo governo.


Devemos então abandonar esta parte do povo para que continue ganhando um salário de miséria? Eu digo que não. Mas porque não aprender com os países desenvolvidos, apreender a essência de seus programas e aplicá-la (a essência) da forma que caiba na realidade brasileira? Que o governo utilize sim o dinheiro público para assistencialismo, pois é necessário, mas que ao mesmo tempo cobre algo em troca, algum suor, com o investimento em obras de interesse. Ou no Nordeste não são necessários açudes? Ou no norte não são necessárias estradas? Ou no Brasil inteiro os portos e aeroportos não precisam ser modernizados? Ou não poderíamos construir estradas de ferro para facilitar o escoamento da produção agrícola do interior para os portos? E enquanto isso se fornece educação pública de qualidade para que os filhos dessas pessoas não precisem desse assistencialismo no futuro, fazendo com que o Programa seja temporário, paliativo, enquanto o problema real, o da educação, é resolvido em paralelo. E quando eu digo educação, digo preparação para o mercado de trabalho, qualificação profissional de nível médio e técnico. Que cada um se vire com seu próprio esforço a partir daí, pois quem se esforçar estará preparado e quem não estiver preparado será por falta de vontade. Será que o dinheiro gerado com o suor da classe média deve ser dado de graça?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Será que vamos mesmo acabar assim?

        Outro dia li o editorial publicado no jornal O Estado de São Paulo no dia 17/01/2014, falando sobre as três principais economias do Mercosul (Brasil, Argentina e Venezuela) fechando seus mercados, enquanto os países da Aliança do Pacífico (Chile, México, Peru e Colômbia) se inserem no mercado internacional. O editorial falava que os países da Aliança do Pacífico vêm crescendo e continuarão crescendo mais que os do Mercosul, com inflações mais baixas, etc.
         O que mais me chamou a atenção naquele editorial foi que no fim ele cita o The Wall Street Journal, que teria publicado que "a atual conjuntura sugere que o Brasil está se tornando uma Argentina, a Argentina está virando uma Venezuela, e a Venezuela já é quase um Zimbábue."
            Quando li, achei que seria um pouco exagerado, mas após ler a nota (El color del dinero) divulgada ontem pelo Sr. Carlos Fernández, Asesor Financiero del Programa Argentina Exporta, já não tenho tanta certeza assim se a análise do Journal é tão exagerada...
         Entre outras coisas, a nota diz que "¿Puede haber desdoblamiento cambiario? No lo vemos probable en lo inmediato. Tal vez se intenten otros mecanismos, como por ejemplo el de subasta de cupos de divisas, tal como sucede en Venezuela (denominado SICAD). El país caribeño es ciertamente un espejo donde podemos ver una cierta inspiración para las autoridades locales en materia económica."
         Se alguém de um órgão do governo argentino já diz em nota oficial que a Venezuela é um espelho onde se pode ver uma certa inspiração, estou com medo da previsão do The Wall Street se concretizar, e por completo. Coitado do Brasil e principalmente de nós...

         Para consulta à nota completa, em espanhol: http://www.argentinaexporta.com/articulodivisas.html

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Salário líquido ou salário bruto? Eis a questão.

O post anterior me fez lembrar de uma situação curiosa. Quando as conversas entre amigos ou familiares entram na área salarial (é... assunto tabu...), 95% das pessoas falam o valor do “salário líquido” ao invés do “salário bruto”. No meu ponto de vista, é ingenuidade falar em salário líquido. Vamos pegar dois exemplos para comparar.

José ganha de “salário bruto” 10 mil reais, tendo descontado em seu contra-cheque o IR no valor de 1600 reais e o INSS no valor de 1100 reais, o que dá um “salário líquido” de 7300 reais. José então paga 400 reais por mês de plano de saúde para sua família e 600 reais do financiamento de seu carro.

João tem como “salário bruto” os mesmo 10 mil reais que José, tendo descontados em seu contra-cheque também o IR no valor de 1600 reais e o INSS no valor de 1100 reais, além do plano de saúde oferecido pela empresa com desconto em folha no valor de 400 reais e do empréstimo consignado que fez para compra de seu carro, com parcelas no valor de 600 reais, fazendo com que seu “salário líquido” seja de 6300 reais.

Dito isto, passemos à análise utilizando o critério do “salário líquido”. José ganha 7300 reais enquanto João ganha 6300 reais, logo, o salário de José é maior que o de João. Com esta mesma análise, percebemos que João recebe assistência saúde de graça e que seu carro também não custa nada, enquanto José tem que tirar parte de seu salário para pagar por estes produtos. Nossa, que coisa injusta! Um tem que pagar pelo que o outro tem de graça! E sabe o que mais? Nenhum dos dois tem responsabilidades com dinheiro de imposto ou de aposentadoria.

Vamos agora analisar de forma realista. Os dois recebem o mesmo salário: 10 mil reais. E os dois têm as mesmas despesas: IR = 1600 reais, INSS = 1100 reais, saúde = 400 reais e carro = 600 reais. Mas um deles, José, tem que ir ao banco pagar o carro e o plano de saúde, enquanto o outro, João, tem a comodidade de não precisar ir ao banco.

E se um deles fizer um financiamento de imóvel com desconto no contra-cheque, quer dizer que seu salário diminuirá? Claro que não. Seu gasto é que aumentará.

Conclusão: o salário líquido não existe! É apenas uma manobra contábil que facilita a todos e normalmente diminui os juros e as taxas envolvidas. O que existe é o salário bruto, que na verdade é o salário. E olha que curioso: esse é o valor que vem escrito na carteira de trabalho!


Quem pensa somente no salário líquido, acha que tem um salário variável e deixa de enxergar vários dos gastos que têm. E, para piorar, um destes gastos é o imposto, que normalmente tem uma grande parte afanada por políticos corruptos e o povo nem se importa, porque não vê que esse dinheiro sai do seu salário. Se meu salário é o líquido, o dinheiro público roubado não era meu, correto?

O Brasil só pode ser tão bom quanto os brasileiros (continuação)

Certa vez eu estava conversando com dois conhecidos meus, um nascido e criado em Nova Iorque e hoje morando em Maryland, EUA, o outro, nascido em Ohio e também hoje mora em Maryland. Estávamos falando sobre como funcionam as coisas aqui no Brasil e lá nos EUA. Em certo momento, eu comentei que lá eles não pagam pra ter ensino de qualidade para seus filhos e que no Brasil temos que pagar escolas particulares se quisermos bom ensino. Os dois retrucaram, indignados, quase ao mesmo tempo: “é claro que pagamos para ter ensino de qualidade aqui nos EUA! Nós pagamos impostos”!

Aí é onde está a grande diferença. Não nos impostos ou na escola pública, mas na mentalidade. O brasileiro pensa e age como se a escola pública fosse de graça. O americano pensa e age como quem paga pela escola pública quando paga seus impostos. Na forma brasileira de pensar, a escola é gratuita, o que faz com que qualquer resultado que venha de lá seja aceito pela sociedade. Faz também com que os professores faltando às aulas não sejam cobrados por ninguém, com que o desvio de verba da merenda ou dos livros seja o roubo do dinheiro da escola e não o meu ou o seu. Do ponto de vista americano, enxergando que o cidadão paga a escola com o dinheiro dos impostos, ele cobra um ensino de qualidade para seus filhos, pois o dinheiro dele está investido ali, ele não aceita que o filho dele tenha “tempo vago” durante as aulas, por causa de ausência injustificada de um professor (a escola consegue logo um substituto) e, caso aconteça algum desvio de verba, ele se sente roubado, porque aquele dinheiro foi ele quem suou para ganhar e investiu (sim, investiu) na escola para educar seu filho.

O mesmo raciocínio se aplica para saúde, segurança, justiça... enfim, todas as áreas de responsabilidade do governo.

No Brasil, tratamos o dinheiro público como se fosse dinheiro público. Isso significa dizer que tem uma entidade abstrata que é dona do dinheiro. O nome dessa entidade é governo. Ninguém sabe direito o significado real disso. Mas na verdade o dinheiro público é nosso! Ele pertence a cada cidadão! Se no Brasil temos em torno de 200 milhões de habitantes, isso significa que de cada 200 milhões de tijolos que constituem as paredes de prédios públicos, um tijolo é meu, um tijolo é do meu irmão, um tijolo é da minha esposa, um tijolo é da minha mãe e por aí em diante. E isso também significa que um tijolo também é seu! De cada 200 milhões de reais de dinheiro público, um real é meu, um real é da minha esposa, um real é seu... Já deu para entender, não é?

Bom, vamos colocar em números: se na construção do tribunal de São Paulo foram desviados 169,5 milhões de reais de dinheiro público, isso quer dizer que você foi roubado em 85 centavos. Parece pouco. Mas vamos continuar: no assalto ao Banco Central, em Fortaleza, foram roubados em torno de 164,7 milhões de reais de dinheiro público, afinal, o Banco Central é público, logo, você foi roubado em mais 82 centavos, já totalizando 1,67 reais. Ainda parece pouco, mas até agora só somamos dois casos conhecidos. A quanto vocês acham que chega a soma total do valor que você foi roubado se somarmos todos os casos conhecidos?

No portal da PUC do Rio de Janeiro, http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/Jornal/Pais/Brasil-despeja-R$-50-bilhoes-por-ano-no-ralo-da-corrupcao-12582.html foi publicado hoje que o valor anual da corrupção no Brasil é algo em torno de 50 BILHÕES de reais por ano. Existem outras estimativas de algo em torno de 69 bilhões, mas preferi ser conservador. 50 bilhões por ano, significa que você, cidadão comum, está sendo roubado todo ano em 250 reais todos os anos. Ainda parece pouco.

Agora pense no seguinte: com esses seus míseros 250 reais por ano bem investidos pelo governo, você não precisaria pagar 400 reais por mês de plano de saúde para você e sua família, pois teríamos bons hospitais públicos, não precisaria pagar 800 reais por mês de escola para cada um de seus filhos, pois teríamos boas escolas públicas, não precisaria pagar 400 reais de condomínio todo mês ou ter um sistema de segurança instalado em casa, pois poderíamos viver em casas com boa segurança pública e assim por diante. Logo, o roubo dos seus míseros 250 reais por ano, acabam te custando, no mínimo, 1600 reais todo mês.


Não seria bem mais barato tratarmos o dinheiro público como NOSSO DINHEIRO, para que nosso dinheiro possa ser bem aplicado e tenhamos sobras desse nosso dinheiro para lazer, atividades extras, investimento... ?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Brasil só pode ser tão bom quanto os brasileiros, nunca melhor que eles

Vejo e ouço diariamente, em todos os meios de comunicação, vindos de vários analistas/especialistas (que não são necessariamente a mesma coisa), relatórios dos problemas do Brasil. Uns defendem que a corrupção deve ser combatida, outros que a inflação deve ser contida ou que o mercado deve ser estimulado, entre tantos outros que se eu decidisse citar aqui precisaria de um livro, no mínimo.

Mas dia desses li uma matéria de J.R. Guzzo, da revista Veja, publicada no blog Diplomatizzando, do diplomata P.R. de Almeida, que entendo ter se aproximado do âmago da questão. Na verdade, o título dado por Almeida ao post é que se aproxima mais do que acredito ser o cerne de todos os problemas administrativos da nação: “O Brasil perdeu qualquer sentido do que seja ética publica, em todos os escalões.”

Já há algum tempo tenho dito, em rodas de amigos (pois é meu único campo de atuação, já que não pretendo me tornar um militante nem influenciar as massas), que o problema de nosso Estado é somente um: O brasileiro, em todas as esferas da sociedade, acredita que o que é público não tem dono. Isto torna todos os bens públicos, incluindo-se terras, prédios, numerário, contratos... enfim, tudo o que é público, disponível para ser usurpado por quem tiver a primeira oportunidade e a coragem de fazê-lo. E nem é preciso muita coragem, já que a impunidade é a regra no país e não uma exceção.

Quando um cidadão vê no noticiário da televisão que algum político ou funcionário público recebeu propina de algum empresário que ganhou alguma vantagem ou se juntou com este para desviar dinheiro público, ele não mais fica indignado. Tornou-se algo cotidiano. E quando fica indignado, não é pelo malefício causado, mas sim porque eles próprios não podem ficar com uma parte deste dinheiro sujo. O brasileiro comum reclama por não poder participar do esquema, porque como ele mesmo diz: “ah, também! É fácil demais roubar neste país! Se fosse eu lá também pegava a minha parte. Todo mundo pega...”

Mas o grande ponto desta minha opinião é que o problema é muito mais profundo do que o exemplo anterior possa fazer parecer. O “xis” da questão é que as pessoas aplicam este raciocínio, transformando-o em ações no seu dia a dia, quando furam filas de banco ou de elevador, quando entram na fila e passam no caixa rápido do supermercado com 35 itens no carrinho, quando a enorme placa indica que o limite é de 20 itens, só porque aquela fila é mais rápida. O que essas pessoas não percebem é que elas estão lesando alguém. Quando ela fura a fila de um banco, todos depois dele ficarão mais tempo no banco aguardando atendimento porque sua vez de ser atendido demorará mais a chegar. Quando fura a fila do elevador, quem ocuparia o último lugar disponível naquele elevador terá que esperar pelo próximo, pois seu lugar foi ocupado pelo “espertinho”. E quando passa no caixa do supermercado com mais itens que o permitido para o caixa rápido, o caixa deixa de ser rápido, pois está atendendo um cliente, o “espertinho”, que demorará muito mais que a média de tempo de atendimento de clientes do caixa rápido e todos os demais clientes ficarão mais tempo na fila. “Mas e daí?” – diz o espertalhão. “Danem-se. Não sou eu que estou esperando.” É, pode não ser você hoje, mas com certeza você também já foi vítima de algum espertalhão e se deu mal.


Estes foram só alguns exemplos que me vieram à mente enquanto escrevia estas linhas, mas o assunto é inesgotável. E para quem possa pensar que estou falando das camadas mais baixas da sociedade, esclareço que os exemplos que citei neste texto são fatos observados por mim dentro do meu grupo de relacionamento, que é feito de engenheiros, contadores, médicos, enfermeiros, professores e estudantes. É uma fatia da sociedade com excelente educação, boa formação moral e um bom salário. Se eles pensam e agem desta forma, imagina o povo que não tem acesso à educação e à informação!

Enquanto o povo comum tiver a mentalidade de tirar vantagem pessoal em tudo, os políticos também terão. E além disso, o povo não achará que é errado tudo de absurdo que os políticos fazem.