O objetivo deste blog

O objetivo deste blog não é atingir a ninguém, até porque nem acho que alguém algum dia lerá algo do que está aqui. O que faço aqui é só uma forma de colocar minhas ideias pra fora, já que tenho falta de amigos que gostem de se informar e muito menos de conversar sobre estes assuntos. Escrevo no blog porque ele não ficará fingindo que me ouve enquanto espera que eu me cale para que possa mudar de assunto. O blog registra minhas ideias. Entretanto, sou leigo em todos os assuntos abordados aqui e, portanto, o que expresso é apenas minha opinião. Quem quiser saber se o que escrevo tem fundamento deve pesquisar na internet, em jornais, livros, na sua própria consciência e na observação das atitudes das pessoas que o cercam.

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Brasil das Bolsas (família, escola...)!

Viajei recentemente à Alemanha e aos Estados Unidos, a trabalho. Passei 3 meses nos Estados Unidos (onde cruzei quatro estados dirigindo – Virginia, Maryland, New Jersey e New York, além de D.C.) e 2 semanas na Alemanha, tendo rodado de carro por mais de 1200 km na Alemanha e mais um pouco (não sei quanto, mas bem menos) pela Holanda. Sabem o que vi por lá? Gastos públicos com obras em estradas, reformas de edifícios públicos, recapeamento de ruas, trocas de tubulações, entre outras. Qual o significado disso?

Como já escrevi na descrição deste blog, sou leigo em assuntos de política, economia e todos os outros tratados neste veículo. Porém, me dou ao luxo de raciocinar e me questionar. E nesse caso, me questiono: será que estes gastos públicos em obras justamente em um momento de crise não são medidas de estímulo à economia? Desta forma, mantêm-se trabalhadores empregados, com salários em dia para pagarem seus aluguéis, comprarem suas roupas, seus eletrodomésticos, gastando com seu lazer, enfim, mantendo a economia girando. O governo utiliza dinheiro público para ajudar a população, distribuir renda. Mas em troca de trabalho, do suor de cada um. Claro que existem também projetos assistencialistas, mas de tamanho limitado.

Meu padrinho, nascido na Espanha, criado no Brasil, foi ano passado à sua terra natal. Ele nasceu em um vilarejo pequeno próximo a La Coruña (ou A Coruña, como os galegos a chamam). Naquela região, talvez a mais pobre da Espanha, que é um dos países muito afetados pela atual crise, também estão sendo feitas obras públicas, principalmente nas estradas, com este mesmo fim.

Enquanto isso, no Brasil... bolsa família, bolsa escola, bolsa presidiário... Segundo o site do Ministério do Desenvolvimento Social (www.mds.gov.br/bolsafamilia‎), “o programa bolsa família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país”. Fiz um cálculo rápido e sem ler muito, a partir de dados do próprio site do ministério, e cheguei ao valor de até R$ 510,00 para uma família com cinco filhos de até 15 anos de idade. É um valor de R$ 102,00 per capita, cumprindo o objetivo do governo de que todos tenham no mínimo R$ 70,00 por pessoa de renda mensal.

Agora vem o seguinte: os beneficiários do bolsa família são pessoas que trabalham? Sim, muitas delas. E muitas outras que não trabalham. Se a pessoa é analfabeta ou semianalfabeta, vivendo e empregado em área rural, qual é o seu salário potencial? Se ele é beneficiário do bolsa família, é porque a renda mensal per capita de sua família é inferior a R$ 70,00. Ou seja, para a família do exemplo anterior, uma renda familiar de no máximo 350,00. Se fosse maior que isso, não teria direito à ajuda do Projeto (pelo menos é o que consta no site do MDS). Ora, a família vive com R$ 350,00 mensais, trabalhando feito um burro de carga, de sol a sol, debaixo de sol forte. Aí, vem o governo e dá para ele R$ 510,00 todo mês sem cobrar que ele trabalhe. Você continuaria trabalhando? Pense bem e seja honesto. Se você sair do emprego e receber o auxílio, você teve um aumento de mais de 45% de sua renda, sem ter obrigação de trabalhar. Você trabalharia? Duvido.

E qual o desdobramento desta situação? O desestímulo ao trabalho, ao esforço próprio para melhorar de vida, à meritocracia e à produtividade. Conheço pessoas que vivem ou viveram em grande parte do Brasil. Só para citar um exemplo, alguns conhecidos meus, que têm “roças” no interior do Piauí e do Ceará reclamam que não conseguem trabalhadores para “roçar” os campos, pois eles estão satisfeitos com os benefícios dados pelo governo.


Devemos então abandonar esta parte do povo para que continue ganhando um salário de miséria? Eu digo que não. Mas porque não aprender com os países desenvolvidos, apreender a essência de seus programas e aplicá-la (a essência) da forma que caiba na realidade brasileira? Que o governo utilize sim o dinheiro público para assistencialismo, pois é necessário, mas que ao mesmo tempo cobre algo em troca, algum suor, com o investimento em obras de interesse. Ou no Nordeste não são necessários açudes? Ou no norte não são necessárias estradas? Ou no Brasil inteiro os portos e aeroportos não precisam ser modernizados? Ou não poderíamos construir estradas de ferro para facilitar o escoamento da produção agrícola do interior para os portos? E enquanto isso se fornece educação pública de qualidade para que os filhos dessas pessoas não precisem desse assistencialismo no futuro, fazendo com que o Programa seja temporário, paliativo, enquanto o problema real, o da educação, é resolvido em paralelo. E quando eu digo educação, digo preparação para o mercado de trabalho, qualificação profissional de nível médio e técnico. Que cada um se vire com seu próprio esforço a partir daí, pois quem se esforçar estará preparado e quem não estiver preparado será por falta de vontade. Será que o dinheiro gerado com o suor da classe média deve ser dado de graça?

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