Vai
começar a dança das cadeiras. Mais uma troca de ministros. Existem 39
ministérios e, sem contar a próxima troca, já são 60 ministros (notícia dada
por Gabriel Castro). No momento em que escrevo estas linhas, ainda não li a
reportagem toda. Li apenas o primeiro parágrafo e mais duas frases. Até porque
o assunto que pretendo falar hoje é sobre isso, mas não é exatamente isso.
Eu
tenho um sério problema em aceitar como são feitas as indicações de ministros
de Estado e outros cargos de confiança, como presidente do BB, da Petrobras, da
Caixa, entre outros. O governo fala em dar X ministérios para o PMDB, Y
ministérios para o PSB, Z ministérios para o PT e assim por diante, porque
estes são os partidos da base aliada. “Estes são os que nos apoiaram durante as
eleições e nos apoiam hoje nas votações no Congresso.” Ora, a Presidente da
República tem o poder de escolher o melhor profissional do Brasil de cada área
especializada para cada ministério. Por que ela escolhe um político? O que o
político A entende de energia ou mineração? Nada, mas ele é do partido aliado,
o partido indicou este nome e nós prometemos que se ganhássemos a eleição,
daríamos o Ministério de Minas e Energia para este partido, então, coloquemo-lo
lá. Não faz diferença se ele não entende do assunto. O cargo é do partido e o
indicado foi ele.
Pergunto:
este tipo de indicação está de acordo com os interesses do Brasil, do povo?
Este político A fará um bom trabalho? Tomará boas decisões? Fará o Brasil
crescer? E o ministro da educação? E o da saúde?
Mudando
de assunto (sem realmente mudar de assunto), por que quando uma matéria está em
pauta para votação na Câmara ou no Senado, os políticos são, no mínimo,
coagidos a votar de acordo com os interesses do partido a que pertencem? Por
que eles não podem votar de acordo com sua própria opinião? Eles deveriam votar
a favor de tal matéria se acreditam que ela será benéfica ao país e votar
contra se acreditam que será prejudicial. Não deveriam votar a favor por ordem
do partido porque a presidente ofereceu um cargo de primeiro escalão para o
partido ou contra porque ela se negou a dar o tal cargo. Desta forma, o que
está havendo é compra de votos. O governo compra votos e paga com cargos. E com
outras coisas mais que nem vou mencionar. Relembre-me: compra de votos não é
ilegal neste país? Ah, tá...
Mas
o que mais me impressiona é que os políticos falam abertamente sobre este
assunto. Quando são entrevistados falam mesmo que votaram deste ou daquele
jeito porque o governo deu ou não deu o que o partido queria. O governo fala em
retirar matéria da pauta porque se for votado agora será derrubado, que se
precisa de mais tempo para negociar. No meu entendimento, a arte da política é
a arte de convencer, não a de negociar. A política foi desenvolvida neste país
nesta forma de negociata. E os políticos acham que isso é política. Que é assim
que a política funciona. Eu acho que eles estão com a visão um pouco
distorcida. Basta ver o que o Obama precisa fazer com o congresso americano
quando quer alguma aprovação deles. É claro que deve ter negociação por lá
também, que lá existem vários lobistas, e tudo o mais. Mas ele vai ao congresso
fazer discursos, tentar convencer os senadores de que aquele é o melhor caminho
a ser seguido. Enquanto por aqui, o governo só fala em negociar com a base
aliada ou com quem quer que seja para que a matéria seja votada e aprovada.
E
o mais revoltante é que a grande imprensa da massa também trata isto como se
fosse a coisa mais normal do mundo e o STF faz que não vê nada do que acontece.
Não era para os três poderes se fiscalizarem entre si? Eu achava que se o
Executivo e o Legislativo estão fazendo caquinha,
o Judiciário deveria atuar.
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