O objetivo deste blog

O objetivo deste blog não é atingir a ninguém, até porque nem acho que alguém algum dia lerá algo do que está aqui. O que faço aqui é só uma forma de colocar minhas ideias pra fora, já que tenho falta de amigos que gostem de se informar e muito menos de conversar sobre estes assuntos. Escrevo no blog porque ele não ficará fingindo que me ouve enquanto espera que eu me cale para que possa mudar de assunto. O blog registra minhas ideias. Entretanto, sou leigo em todos os assuntos abordados aqui e, portanto, o que expresso é apenas minha opinião. Quem quiser saber se o que escrevo tem fundamento deve pesquisar na internet, em jornais, livros, na sua própria consciência e na observação das atitudes das pessoas que o cercam.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Brasil só pode ser tão bom quanto os brasileiros, nunca melhor que eles

Vejo e ouço diariamente, em todos os meios de comunicação, vindos de vários analistas/especialistas (que não são necessariamente a mesma coisa), relatórios dos problemas do Brasil. Uns defendem que a corrupção deve ser combatida, outros que a inflação deve ser contida ou que o mercado deve ser estimulado, entre tantos outros que se eu decidisse citar aqui precisaria de um livro, no mínimo.

Mas dia desses li uma matéria de J.R. Guzzo, da revista Veja, publicada no blog Diplomatizzando, do diplomata P.R. de Almeida, que entendo ter se aproximado do âmago da questão. Na verdade, o título dado por Almeida ao post é que se aproxima mais do que acredito ser o cerne de todos os problemas administrativos da nação: “O Brasil perdeu qualquer sentido do que seja ética publica, em todos os escalões.”

Já há algum tempo tenho dito, em rodas de amigos (pois é meu único campo de atuação, já que não pretendo me tornar um militante nem influenciar as massas), que o problema de nosso Estado é somente um: O brasileiro, em todas as esferas da sociedade, acredita que o que é público não tem dono. Isto torna todos os bens públicos, incluindo-se terras, prédios, numerário, contratos... enfim, tudo o que é público, disponível para ser usurpado por quem tiver a primeira oportunidade e a coragem de fazê-lo. E nem é preciso muita coragem, já que a impunidade é a regra no país e não uma exceção.

Quando um cidadão vê no noticiário da televisão que algum político ou funcionário público recebeu propina de algum empresário que ganhou alguma vantagem ou se juntou com este para desviar dinheiro público, ele não mais fica indignado. Tornou-se algo cotidiano. E quando fica indignado, não é pelo malefício causado, mas sim porque eles próprios não podem ficar com uma parte deste dinheiro sujo. O brasileiro comum reclama por não poder participar do esquema, porque como ele mesmo diz: “ah, também! É fácil demais roubar neste país! Se fosse eu lá também pegava a minha parte. Todo mundo pega...”

Mas o grande ponto desta minha opinião é que o problema é muito mais profundo do que o exemplo anterior possa fazer parecer. O “xis” da questão é que as pessoas aplicam este raciocínio, transformando-o em ações no seu dia a dia, quando furam filas de banco ou de elevador, quando entram na fila e passam no caixa rápido do supermercado com 35 itens no carrinho, quando a enorme placa indica que o limite é de 20 itens, só porque aquela fila é mais rápida. O que essas pessoas não percebem é que elas estão lesando alguém. Quando ela fura a fila de um banco, todos depois dele ficarão mais tempo no banco aguardando atendimento porque sua vez de ser atendido demorará mais a chegar. Quando fura a fila do elevador, quem ocuparia o último lugar disponível naquele elevador terá que esperar pelo próximo, pois seu lugar foi ocupado pelo “espertinho”. E quando passa no caixa do supermercado com mais itens que o permitido para o caixa rápido, o caixa deixa de ser rápido, pois está atendendo um cliente, o “espertinho”, que demorará muito mais que a média de tempo de atendimento de clientes do caixa rápido e todos os demais clientes ficarão mais tempo na fila. “Mas e daí?” – diz o espertalhão. “Danem-se. Não sou eu que estou esperando.” É, pode não ser você hoje, mas com certeza você também já foi vítima de algum espertalhão e se deu mal.


Estes foram só alguns exemplos que me vieram à mente enquanto escrevia estas linhas, mas o assunto é inesgotável. E para quem possa pensar que estou falando das camadas mais baixas da sociedade, esclareço que os exemplos que citei neste texto são fatos observados por mim dentro do meu grupo de relacionamento, que é feito de engenheiros, contadores, médicos, enfermeiros, professores e estudantes. É uma fatia da sociedade com excelente educação, boa formação moral e um bom salário. Se eles pensam e agem desta forma, imagina o povo que não tem acesso à educação e à informação!

Enquanto o povo comum tiver a mentalidade de tirar vantagem pessoal em tudo, os políticos também terão. E além disso, o povo não achará que é errado tudo de absurdo que os políticos fazem.

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